Monthly Archives: Julho 2009

projecto II 3D

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projecto II

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Sociologia

Raça e Biologia

Na actualidade muita gente acredita erradamente que os seres humanos podem ser com facilidade separados em raças biologicamente diferentes. O que não é surpreendente, dado muitos teóricos terem feito numerosas tentativas para classificar a população mundial por raças. Alguns autores distinguiram quatro ou cinco raças principais, enquanto outros reconheceram nada menos que três dúzias. Contudo, foram encontradas demasiadas excepções nestas classificações para que fossem consideradas válidas.

Pressupõe-se, por exemplo, que o <<negróide>>, uma tipologia usada, com muita frequência, seja composto por pessoas com pele escura e cabelo encarapinhado, para além de outras características físicas. Contudo, os primeiros habitantes da Austrália, os aborígenes, têm pele escura, mas cabelo ondulado e, por vezes, loiro. Pode encontrar-se uma série de exemplos que desafiam qualquer classificação simples. Não há, para sermos rigorosos, raças, apenas uma gama de variações físicas de seres humanos. As diferenças de tipo físico entre grupo de seres humanos resultam da procriação da população, a qual varia de acordo com o grau de contacto entre diferentes grupos sociais e culturais. Os grupos populacionais humanos não são distintos, formam um continuum. A diversidade genética dentro de uma mesma população que partilhe óbvios traços físicos é tão grande como a diversidade entre populações. Estes factos levam muitos biólogos, antropólogos e sociólogos a concluir que o conceito de raça devia ser completamente posto de lado.

Existem diferenças físicas claras entre os seres humanos e algumas delas são herdadas, mas a questão de se saber porque é que algumas destas diferenças físicas, e não outras, se tornaram motivo de discriminação e preconceito social nada tem a ver com a biologia. Por conseguinte, as diferenças raciais deviam ser entendidas como variações físicas tidas pelos membros de uma comunidade ou de uma sociedade como socialmente relevantes. As diferenças na cor de pele, por exemplo, são consideradas significativas, enquanto diferenças na cor do cabelo não o são. O RACISMO é uma discriminação com base em distinções físicas socialmente significativas. Um racista é alguém que acredita que alguns indivíduos são inferiores ou superiores a outros como resultado dessas diferenças raciais.

Preconceito e Discriminação

Embora o conceito de raça seja moderno, o preconceito e a discriminação são uma constante da história universal e á necessário, antes de mais, fazer a distinção entre as duas ideias. O PRECONCEITO refere-se a opiniões ou atitudes partilhadas por membros de um grupo acerca de outro. As ideias preconceituosas são, muitas vezes, baseadas mais em rumores do que em provas claras; opiniões que resistem à mudança mesmo face a novas informações. As pessoas podem ter preconceitos favoráveis relativos aos grupos com os quais se identificam e preconceitos negativos face a outros. Alguém que tem preconceitos contra determinado grupo recusará atender imparcialmente os seus membros.

A DISCRIMINAÇÃO diz respeito ao comportamento tido em relação a outro grupo. Pode detectar-se em acções que negam aos membros de um grupo oportunidades que são dadas a outros, como, por exemplo, quando a um negro é recusado um emprego disponível para um branco. Embora o preconceito esteja frequentemente na base da discriminação, os dois podem existir separadamente. As pessoas podem ter ideias preconceituosas e não agir em conformidade. Também é igualmente importante ter em conta que a discriminação não deriva necessariamente e directamente do preconceito. Por exemplo, uma pessoa branca que queira comprar uma casa pode inibir-se de adquirir a propriedade em bairros predominantemente negros, não por causa das atitudes hostis que possa sentir em relação às pessoas que vivem nesses bairros, mas em função da sua preocupação com a desvalorização da propriedade nessas áreas. Neste caso, as atitudes de preconceito influenciaram a discriminação, mas de uma forma indirecta.

Interpretações Psicológicas

As teorias psicológicas podem ajudar a compreender a natureza das atitudes preconceituosas e também a entender as razões pelas quais as diferença étnicas têm tanta importância para muitas pessoas. Duas abordagens psicológicas são particularmente importantes.

Uma aplica o conceito de pensamento estereotipado para analisar o preconceito; a outra defende a existência de um tipo particular de pessoas mais predispostas a ter atitudes preconceituosas acerca de grupos minoritários.

Estereótipos e Bodes Expiatórios

O preconceito opera principalmente através do pensamento estereotipado, ou seja, o pensar em função das categorias rígidas e inflexíveis. Este tipo de pensamento está a maioria das vezes estreitamente associado a mecanismos psicológicos de deslocação através dos quais sentimos hostilidades ou raiva são dirigidos contra sujeitos que não estão na verdadeira origem desses sentimentos. As pessoas descarregam o seu antagonismo em <<bodes expiatórios>>, culpando-os de coisas de que estão inocentes. Procurar bodes expiatórios é algo comum em circunstâncias em que dois grupos étnicos com privações entram em competição um com o outro por motivos económicos. As pessoas que dirigem ataques raciais contra negros, por exemplo, estão muitas vezes numa posição económica semelhante.

Culpam os negros por males cujas causas reais são outras.

Arranjar bodes expiatórios é normalmente dirigido contra grupos que são diferentes e relativamente fracos, na medida em que são alvos fáceis. A longo da História do Ocidente, os Protestantes, Católicos, Judeus, Italianos, negros Africanos e outros grupos desempenharam, contra sua vontade, o papel de bodes expiatórios.

Arranjar bodes expiatórios envolve frequentemente a projecção, a atribuição inconsciente a outros dos nossos próprios desejos ou características. A sexualidade pode estar implicada. Investigações demonstram de uma forma conclusiva que quando que quando membros de um grupo dominante praticam violência sobre uma minoria e a explora sexualmente, é provável que acreditem que o próprio grupo minoritário exiba esses traços de violência sexual. Por exemplo, as ideias bizarras que os brancos do sul tradicional dos E.U.A. partilhavam sobre a natureza libidinosa dos homens Afro-americanos tem provavelmente origem nas suas próprias frustrações, dado o acesso sexual a mulheres brancas ser limitado pela natureza formal do namoro. Do mesmo modo, na África do Sul, a crença de os homens negros terem uma potencia sexual fora do comum e de as mulheres negras serem libidinosas era amplamente partilhada pela população branca – quando na verdade praticamente todos os contactos sexuais eram iniciados pelos homens brancos e dirigidos a mulheres negras.

Interpretações Sociológicas

Alguns dos mecanismos psicológicos mencionados – como o pensamento estereotipado, o deslocamento ou a projecção – são de natureza universal, ajudando a explicar as razões pelas quais os conflitos étnicos são um elemento tão comum em diferentes culturas.

Contudo, pouco nos dizem acerca dos processos sociais envolvidos em formas concretas de discriminação. Para estudar tais processos é necessário ter em conta três ideias sociológicas.

Etnocentrismo, fechamento do grupo e repartição de recursos

Os conceitos sociológicos relevantes a nível geral para a interpretação dos conflitos étnicos são os de etnocentrismo, fechamento do grupo étnico e repartição de recursos.

O etnocentrismo – uma desconfiança em relação a estranhos, combinada com a tendência para avaliar as outras culturas em termos da nossa própria cultura. Virtualmente todas as culturas foram, em maior ou menor grau, etnocêntricas, e é fácil de ver como o etnocentrismo se combina com o pensamento estereotipado. Os forasteiros são  considerados diferentes, bárbaros ou moral e mentalmente inferiores. Foi assim que a maioria das civilizações concebeu os membros de culturas mais pequenas, o que tem contribuído para fomentar inúmeros confrontos étnicos da história.

O etnocentrismo e o fechamento de grupo andam frequentemente a par. Por <<fechamento>> entendemos o processo pelo qual os grupos mantêm fronteiras que os separam dos outros. Estas são formadas através de instrumentos de exclusão, que realçam as divisões entre grupos étnicos. Estes instrumentos incluem, por exemplo, a limitação ou proibição de casamento entre membros de grupos diferentes, restrições no contacto social ou nas relações económicas como o comércio, e a separação física dos grupos (como é o caso de guetos étnicos). Nos Estados Unidos da América, os negros experienciaram os três instrumentos de exclusão: o casamento entre raças foi considerado ilegal em alguns estados, a segregação social e económica foi instituída pela lei no sul do pais, existindo ainda hoje nas cidades principais guetos exclusivamente negros.

Por vezes, grupos de igual poder podem impor mutuamente princípios de fechamento: os seus membros mantêm-se separados uns dos outros, embora não haja um grupo dominante. Contudo, o mais vulgar é os membros  de um grupo étnico estarem em posição de maior poder em relação a outros grupos. Nestas circunstâncias, o fechamento do grupo étnico coincide com a repartição de recursos, instituindo desigualdades na distribuição da riqueza e dos bens matérias.

Alguns dos mais graves conflitos entre grupos étnicos concentram-se em princípios de fechamento, precisamente porque estes princípios realçam desigualdades na distribuição de riqueza, poder e posição social. O conceito de fechamento de grupo étnico ajuda à compreensão das diferenças mais dramáticas e enganadoras que separam uma comunidade da

outra – não apenas a razão pela qual membros de alguns grupos soa mortos a tiro, linchados ou espancados, mas também as razões que explicam por que não conseguem arranjar emprego, ter direito a uma boa educação ou a um bom sitio para viver. De maneira a manter as suas posições, os grupos privilegiados levam por vezes a cabo actos extremos de violência contra outros grupos. Do mesmo modo, os membros de grupos desfavorecidos podem também recorrer à violência na tentativa de melhorar a sua posição.

Conflitos Étnicos: Uma Perspectiva Histórica

Para analisar em profundidade as relações étnicas e os conflitos étnicos dos dias de hoje é necessário adoptar uma perspectiva histórica. Não é possível compreender as divisões étnicas da era moderna sem realçar o impacto da expansão do colonialismo ocidental sobre o resto do mundo.

A partir do século XV, os europeus começaram a aventurar-se por mares e terras desconhecidas, procurando não só explorar e comerciar mas também conquistar e subjugar os nativos. Da Europa, saíram milhões de pessoas para se estabelecerem nesses novos territórios. Através do comércio de escravos promoveram também um movimento de população em larga escala do continente africano para as Américas. A seguir descrevem-se os principais movimentos populacionais que ocorrem nos últimos 350 anos.

  • Da Europa para a América do Norte. Desde o século XVII até ao presente, emigraram cerca de 45 milhões de pessoas da Europa para os territórios que são hoje os E.U.A. e o Canadá. Cerca de 150 milhões de norte-americanos podem hoje fazer remontar a sua ascendência a esta migração.
  • Da Europa para América do Sul e Central. Cerca de 20 milhões de europeus, provenientes em especial de Portugal, Espanha e Itália, migraram para a América do Sul e Central. Cerca de 50 milhões dos habitantes actuais destes territórios são de ascendência europeia.
  • Da Europa para África e Austrália. Aproximadamente 17 milhões de pessoas destes continentes são descendentes de europeus. Em África, a maioria emigrou par a África do Sul, pais que foi colonizado sobretudo por ingleses e holandeses.
  • Da África para as Américas. A partir do século XVI, cerca de 15 milhões de negros foram transportados à força para o continente americano. Quase um milhão de negros chegaram ao território durante o século XVI; cerca de 1.3 milhões no século XVII;

6 milhões no século XVIII; e 2 milhões no século XIX. Os africanos eram acorrentados e trazidos para serem escravos; durante este processo, foram destruídas barbaramente famílias e comunidades inteiras.

Estas vagas populacionais constituíram a base principal da composição étnica dos Estados Unidos da América, Canadá, dos países da América do Sul e Central, da África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Em todos estes países as populações indígenas foram submetidas ao domínio europeu e, na América do Norte e na Austrália, tornaram-se minorias de tamanho insignificante. Como os europeus eram de origens étnicas diversas, os colonos implantaram diferenciações étnicas nas suas novas práticas. No auge da era colonial, no século XIX e inícios do século XX, os europeus governaram também outras populações indígenas em muitas outras regiões: Índia, Birmânia, Malásia e algumas regiões do Médio Oriente.

Durante a maior parte do período da expansão europeia predominavam atitudes de etnocentrismo entre colonizadores, que acreditavam ter uma missão civilizadora em relação ao resto do mundo. Mesmo os colonizadores europeus mais liberais achavam-se superiores aos povos indígenas com quem entraram em contacto. O facto de muitos desses povos pensarem exactamente da mesma forma em relação aos colonizadores não é relevante, dado que eram os europeus que tinham o poder para impor as suas ideias. O período inicial do colonialismo coincidiu com ascensão do racismo, e desde então as divisões e os conflitos raciais tenderam a ocupar um lugar de destaque nos conflitos étnicos em geral. Em particular, as opiniões racistas que separavam <<brancos>> e <<negros>> tornaram-se centrais nas atitudes dos europeus.

Ascensão do Racismo

Por que é que o racismo se desenvolveu? Há várias razões para tal. Uma reside no facto de a oposição entre o branco e o preto, enquanto símbolos culturais, se encontrar profundamente enraizada na cultura europeia. O branco à muito que era associado à pureza e o preto ao mal

(nada há de natural neste simbolismo; em outras culturas, sucede exactamente o inverso). Antes de o Ocidente entrar em permanente contacto com negros, o preto era símbolo de

significados negativos. Esses sentidos simbólicos tenderam a influenciar as reacções para com os negros quando os colonizadores brancos primeiro os encontraram nos novos territórios. A constatação das diferenças essenciais entre brancos e negros, aliada ao <<paganismo>> dos africanos, levou muitos europeus a olhar os nativos com desprezo e medo. Tal como uma testemunha do século XVII o expressou, <<os negros, tanto na cor como na condição, mais não são do que encarnações do Diabo>> (Jordan, 1968). Embora as expressões mais extremas de tais atitudes tenham desaparecido nos nossos dias, elementos deste simbolismo cultural preto/branco continuam difundidos.

Um segundo factor importante que influenciou o racismo moderno foi pura e simplesmente a fabricação e divulgação do próprio conceito de raça. Existiram atitudes ditas racistas em

muitas culturas e em períodos anteriores da história. Na China no século IV da nossa era, podem encontrar-se descrições de povos bárbaros <<que se parecem muitíssimo com macacos de quem descendem>>. Mas a noção da raça enquanto conjunto de características hereditárias é oriunda do pensamento europeu dos séculos XVIII e XIX. O Conde Joseph Arthur de Gobineau (1816-82), chamado por vezes o pai do racismo moderno, propôs ideias que se tornaram influentes em muitos círculos. Segundo Gobineau existem três raças: a branca, a negra e a amarela. A raça branca possui inteligência, moralidade e força de vontade superiores às das outras, e são essas qualidades inatas que estão subjugadas à expansão ocidental por todo o mundo. Os negros são os menos capazes de três raças, sendo marcados por uma natureza animal, pela ausência moral e instabilidade emocional.

Educação Intercultural

A questão da diversidade cultural não deriva apenas da presença de imigrantes, à qual parece, geralmente, associada.

A coexistência de pessoas de diferentes origens e culturas não é um dado novo na nossa história. Nova é a consciência e o reconhecimento multicultural que hoje se processa a uma escala muito superior, abrindo novas oportunidades de desenvolvimento e progresso.

Assumindo o pluralismo como um dialogo positivo, entre identidades e culturas em transformação mútua, o que abordagem intercultural nos pode trazer, é a capacidade lançar pontes e aprender a viver com os outros num mundo que é de todos.

A educação intercultural pode ser definida e encarada de diversas maneiras. Ao longo do tempo, tem sido objecto de várias abordagens e conceptualizações, em constante evolução, quer em teoria, quer em prática.

Segundo Fernand Quellet* (1991), o conceito de educação intercultural designa toda a formação sistemática que visa desenvolver, quer nos grupos maioritários, quer nos grupos minoritários:

  • Melhor compreensão das culturas nas sociedades modernas;
  • Maior capacidade de comunicar entre pessoas de culturas diferentes;
  • Atitudes mais adaptadas ao contexto da diversidade cultural, através da compreensão dos mecanismos psico-sociais e dos factores sócio – políticos capazes de produzir racismo.
  • Maior capacidade de participar na interacção social, criadora de identidades e de sentido de pertença comum à humanidade.

*professor da faculdade de Teologia e Filosofia da Universidade de Sherbrooke, Canadá.

Pode-se dizer que a educação intercultural, enquanto instrumento que nos ajuda a situar e a intervir no mundo que nos rodeia, se inscreve numa perspectiva mais ampla, a educação para  a cidadania, onde a coesão social aparece associada à valorização da diversidade. As iniciativas que promove correspondem a cinco preocupações/valores:

  • Coesão social (procura de uma pertença colectiva);
  • Aceitação da diversidade cultural;
  • Igualdade de oportunidades e equidade;
  • Participação critica na vida democrática;
  • Preocupação ecológica.

(Quellet 2002)

James Banks* define-a como “uma ideia, um movimento de reforma educativa e um processo, cujo principal objectivo é a mudança estrutural das instituições educativas de modo que os alunos de ambos os sexos, sobredotados e de diversas etnias e grupos culturais, venham a ter oportunidades iguais para alcançarem o sucesso escolar” (Banks e Banks, 1993, p. 1). Na medida em que se constitui como um instrumento para que todos os alunos possam realizar o seu potencial, Banks também lhe chama “educação para a liberdade”.

* – Professor de Educação e Director do Centro de Educação Multicultural da Universidade de Washington, Seattle.

Do mesmo modo, Leonard e Patrícia Davidman (1994, p.2) definem educação intercultural como “uma estratégia multifacetada, orientada para a mudança, que se norteia por seis objectivos relacionados entre si:

a igualdade de oportunidades

o pluralismo cultural na sociedade

a criação de relações de harmonia e compreensão intercultural na sala de aula, na escola e na comunidade

a capacitação/”empowerment” de todos os actores educativos

um conhecimento alargado dos vários grupos étnico – culturais por parte de todos os agentes da comunidade

a formação de todos os intervenientes no processo educativo, numa perspectiva intercultural, informada e crítica”.

Neste quadro, quando falamos de educação intercultural, estamos a referir-nos a uma perspectiva dinâmica e a um conjunto de dimensões, transversais a toda a educação/intervenção e que, desejavelmente, devem permear a escola como um todo e a vida social no seu conjunto. Nas palavras de J. Banks, “A educação ou é intercultural ou não é boa (educação)”.

A aposta intercultural envolve, em última análise, um movimento e um processo de consciencialização pessoal e de criação de novas oportunidades de inclusão para todos.

Podemos destacar alguns princípios chave, relativamente à a educação/formação intercultural:

é para todos, tendo em vista a aquisição de competências de comunicação e de relação intercultural

os seus objectivos procuram assegurar princípios de justiça social para todos, independentemente da origem, estatuto sócio – económico, ou outros traços identitários

envolve dimensões de desenvolvimento pessoal e social (dimensões cognitiva, afectiva, relacional)

implica capacidade de reflexão crítica sobre a nossa experiência, sobre o contexto e as relações de poder

aposta na comunicação aberta e na cooperação entre parceiros.

As várias perspectivas sobre educação intercultural, que se complementam e contribuem para um quadro geral mais amplo, têm em comum uma proposta de transformação, subjacente à ideia de que aprender a viver juntos e a relacionar-nos numa base mais igualitária implica mudanças.

Este processo envolve três níveis de transformação: do eu, das instituições e da sociedade em geral.

Como educadores/formadores e cidadãos, precisamos de ter consciência das nossas percepções, da forma como vemos os outros, como lemos o mundo à nossa volta, do que transmitimos quando comunicamos. O que significa procurar desenvolver uma perspectiva crítica e questionadora, de desocultação das nossas assumpções. No dizer de Perotti (1997), ser capaz de partir do ponto de vista do outro. Esta mudança de paradigma tem, necessariamente, reflexos na prática, no modo como agimos e como nos relacionamos com os outros.

A nível institucional, a educação intercultural requer mudanças, no sentido da abertura, transparência, valorização da diversidade, combate à discriminação, práticas mais inclusivas, cooperação e reforço dos dispositivos de participação democrática, proporcionando o efectivo exercício da cidadania.

Agir de forma mais reflectida e pró-activa em organizações abertas e com capacidade de se pensar e de aprender não pode deixar de contribuir para um objectivo mais global da educação intercultural, relacionado com maior justiça social e de equidade para todos.

Questões para reflexão:

O que é para si educação/formação intercultural?

Por que razão ficar-se por conhecer “outras culturas” pode traduzir-se no reforço, e não na redução, do preconceito em relação ao ‘outro’?

Quem é o ‘outro’? ‘Outro’ em relação a quê/quem?

O processo de integração na sociedade de acolhimento implica a perda de traços identitários?

Como pode cada um de nós contribuir para tornar o nosso contexto de intervenção mais cooperativo, alargando as nossas aprendizagens e o reconhecimento de direitos reais e efectivos?

No caso da escola, como assegurar que esta cumpra a sua função primordial para todos os alunos?

Os movimentos dos direitos cívicos

O movimento a favor dos direitos cívicos conferiu um sentimento de liberdade cultural e de afirmação aos activistas negros, que foi muito para lá dos objectivos formais pelos quais estavam a lutar. O Comité Coordenador dos Estudantes contra a violência (SNCC) tinha os seus <<cantores pela liberdade>> que traduziam as suas aspirações em musicas e canções. Vicent Howard descreveu a energia e o sentimento de uma nova vida experienciado por muitos negros na altura.

Naqueles primeiros meses de organização de marchas, de cânticos e de idas para a cadeia havia um sentimento de esperança, um idealismo, uma coragem e uma determinação indescritíveis (…) Eles acreditavam mesmo. Quando cantavam <<We shall overcome>> nas prisões, nos encontros de massas, na frente de policias e de tropas estaduais queriam dizer isso mesmo (…) vencer (<<overcome>>) significava <<liberdade>> e <<direitos>> e <<dignidade>> e <<justiça>> e brancos e negros juntos e muito mais coisas que as pessoas do movimento sentiam mais do que podiam definir (Handing 1980).

As tentativas de implantar a nova legislação dos direitos cívicos confrontaram-se uma vez mais com a resistência feroz dos opositores. Os que marchavam a favor dos direitos cívicos foram insultados e espancados, tendo alguns deles perdido a vida. Uma resposta a esta oposição foi a criação de grupos de negros mais radicais sob o epíteto de <<Poder Negro>> (<<Black Power>>). Os mais moderados dissociaram-se desta tendência, continuando a exercer a pressão a favor das reformas de acordo com a lei. Houve grandes revoltas nos guetos negros de cidades americanas entre 1965 e 1968.

Apesar das limitações que dificultavam a plena realização das suas disposições, a Lei dos Direitos Cívicos provou ser de uma importância fundamental. Os seus princípios não se aplicavam somente aos negros, mas a quem quer que estivesse sujeito a discriminação, incluindo outros grupos étnicos e as mulheres. Serviu como ponto de partida para uma série de movimentos que procuravam promover os direitos dos grupos oprimidos.

Durante as lutas dos anos sessenta, os objectivos do movimento dos direitos cívicos dos negros foram um tanto alterados. A ambição da maioria dos líderes do movimento dos direitos civis tinha sido sempre a integração dos negros na cultura americana mais ampla. O desenvolvimento de grupos militantes do <<Poder Negro>> contribuiu para mudar esses ideais para uma ênfase na dignidade de ser negro e no valor intrínseco da cultura negra.

Os negros começaram então a reclamar uma posição independente na comunidade, orientando-se para o desenvolvimento de uma sociedade genuinamente pluralista, em vez de procurar a assimilação dentro da ordem social branca. Esta mudança de atitude foi também

motivada pelo sentimento de que a igualdade perante a lei nada significava se a discriminação continuasse a ser praticada.

Integração e Antagonismo

Ao longo de cerca de trinta anos, a contar da aprovação da Lei dos Direitos Cívicos, ocorreram grandes mudanças. O número de negros eleitos para cargos oficiais subiu de uma escassa centena no principio dos anos sessenta para os actuais sete mil. Há hoje quatro vezes quatro vezes mais negros no ensino superior americano do que havia em 1964. Emergiu uma classes média negra formada de homens por negócios e mulheres de profissões liberais. Alguns negros tornaram-se presidentes de câmara de algumas das maiores cidades do pais, nomeadamente Nova York, Chicago, Atlanta e Baltimore. Muitos negros tornaram-se igualmente figuras muito mais proeminentes na literatura, no teatro, e nas artes do espectáculo (Marable, 1991).

Contudo, não se pode falar de emergência de um novo período de harmonia racial e de integração. Pelo contrario: em finais dos anos oitenta e no começo da década de noventa centenas de actos de violência motivados por questões raciais tiveram lugar em diversas partes dos Estados Unidos da América. As tensões raciais em cidades como Nova York, Boston e Chicago atingiram um ponto culminante; em 1991 foram organizadas grandes manifestações públicas tanto por grupos negros como por brancos, cada um acusando o outro de racismo. Em 1992 houve surtos de violência em Los Angeles e em várias outras cidades. Voltaram a ocorrer mais revoltas em Los Angeles em meados da década de 90. A despeito dos ganhos obtidos ao longo do período mencionado, em finais dos anos oitenta o estatuto social e económico global dos negros sofreu novamente um declínio.

O rendimento médio das famílias negras, por exemplo, caiu muito acentuadamente, e com ele as matrículas no ensino superior.

Nos centros das cidades houve um aumento exponencial do consumo ilegal de drogas e assistiu-se a uma subida em espiral da violência. O homicídio tornou-se a principal causa de morte dos negros americanos do sexo masculino durante os anos oitenta. Um relatório publicado em 1990 pelo New England Journal of Medicine referia que a esperança de vida de um jovem negro habitante do bairro de Harlem, Nova Iorque, era menor do que a de um homem da mesma idade no Bangladesh. No seu discurso de 1963 em Washington, Martin Luther King sonhava com uma sociedade indiferente à cor da pele, onde os seus filhos fossem <<julgados não pela cor mas pelo seu carácter>>. Este objectivo parece, contudo, ainda muito distante.

Raça, racismo e desigualdade

Há uma considerável variação na distribuição profissional dos não brancos que vivem na Grã-Bretanha. Entre os negros, a maior parte trabalha em ocupações manuais; a sua taxa de desemprego é maior do que a população branca cerca de 80% dos negros do sexo masculino e 70% oriundos do Sul da Ásia encontram-se em ocupações manuais, em comparação com os 50% de brancos. Entre oriundos  das Índias Ocidentais há muito poucos trabalhadores não manuais, embora uma grande percentagem trabalhe em ocupações especializadas. A grande maioria dos oriundos do Bangladesh faz trabalhos não especializados ou semi-especializados. Os asiáticos que chegam à Grã-Bretanha vindos da África Oriental na realidade, encontram-se em ocupações não -manuais em maiores proporções do que os brancos. As mulheres não brancas apresentam números muito piores do que os homens não brancos: a sua proporção em trabalhos não manuais ou especializados é muito inferior à destes últimos (Hammett et al., 1990).

Muitos não brancos, incluindo uma maioria de naturais da Ásia do Sul, vivem longe das áreas centrais das cidades. Há, no entanto, uma forte associação entre a origem étnica e o lugar da residência. Assim, os oriundos das Índias Ocidentais têm sete vezes mais probabilidades de viver em zonas centrais empobrecidas de Londres, Birmingham ou Manchester do que os brancos. As taxas de desemprego masculino são nestas áreas muito elevadas. A maioria das pessoas negras não vive ai por sua escolha; mudaram-se para aí porque essas áreas são as menos procuradas pela população branca, ficando as casas disponíveis à medida que os brancos vão partindo.

Os brancos com maioria de sucesso, em termos de rendimento, são os oriundos da Ásia do Sul, empregados por conta própria ou pequenos empresários. Nestas categorias, a proporção de gente aumentou de uma forma constante ao longo dos últimos 20 anos: 23% dos homens asiáticos da África Oriental encontra-se neste grupo, em comparação com 14% para o conjunto da população masculina branca. As pequenas lojas de asiáticos e outros negócios dirigidos pelos mesmos tornaram-se um aspecto tão proeminente da sociedade britânica, que há mesmo quem tenha sugerido que poderiam conduzir a um renascimento económico dos centros das cidades. A afirmação é quase de certeza exagerada, dado que muitos asiáticos estabelecidos por conta própria trabalham durante um grande número de horas em função de níveis de rendimento global relativamente baixos. Estão registados como trabalhadores por conta própria, mas na verdade são empregados de outros membros da família que dirigem o negócio; e não gozam de benefícios habituais dos empregados, como o pagamento do salário correspondente aos dias de doença, férias pagas ou os descontos patronais para a segurança social.

Por mais abastados que sejam, os grupos não brancos são vítimas de um outro tipo de racismo – incluindo as agressões por motivos raciais. A maioria escapa a tal tratamento, mas para uma minoria essa experiência pode revelar-se perturbadora e brutal. Um relatório de pesquisa descreve os exemplo seguintes:

enquanto um rapaz dorme, uma cabeça de porco com olhos, as orelhas, as narinas e a boca cheios de cigarros acesos é atirada pela janela do seu quarto. Uma família não sai de casa à noite depois das sete; permanecem numa grande sala, depois de terem barricado o rés-do-chão. Uma família é aprisionada no seu próprio apartamento com uma grade de segurança encravada na porta da frente por vizinhos brancos. Um jovem é esfaqueado por um rapaz branco mais velho, ao passar por um corredor da escola no intervalo das aulas ( Gordon, 1986).

A etnicidade e o policiamento

As privações a que estão sujeitas as pessoas expostas ao racismo, como mencionadas anteriormente, ajudam a produzir e, simultaneamente, são produzidas pelo ambiente decadente de algumas zonas urbanas <<Cidades e o desenvolvimento do urbanismo moderno>>. Há aqui nítidas correlações entre raça, desemprego e crime, que tendem a centrar-se particularmente na posição dos jovens negros do sexo masculino. A policia decidiu iniciar em 1982 a publicação do número de assaltos na rua por raça, estatística não divulgada anteriormente. A questão central sublinhada pela televisão e pela imprensa foi a do <<envolvimento desproporcionado de jovens negros em crimes como furos e assaltos a lojas. Em resultado disto criou-se na opinião pública uma ligação entre raça e crime. O Daily Telegraph comentou: <<Muitos jovens das Índias Ocidentais que vivem na Grã-Bretanha e, por um processo associado, um número cada vez maior de jovens brancos não tem qualquer sentimento de pertença à nação em que vivem. Os seus cidadãos tornam-se, assim, para eles meros objectos sujeitos a uma exploração violenta>> (citados em Solomos e Rackett, 1991, p. 44). Porem, a experiência de muitos jovens negros diz-lhes que são precisamente eles quem são <<objecto de exploração violenta>> na sua vivência com brancos e, até certo ponto, infelizmente com a policia.

Um estudo sobre a policia, da autoria de Roger Graef, descobriu atitudes racistas largamente difundidas entre os seus agentes. Concluiu que a visão da policia era <<fortemente hostil a todos os grupos minoritários>>. Os negros, em particular, eram descritos através de rudes estereótipos, anedotas e comentários jocosos. Ao reparar no ar de reprovação do autor, um agente comentou sarcasticamente: << os policias referem-se insultuosamente a todos, não apenas aos pretos. Ouvem-se constantemente observações sobre as bichas, monhés, lésbicas, mulheres, estudantes, irlandeses e muito mais. Odiamos toda a gente>> (Graef, 1989, p.124).

Não causará qualquer surpresa, por conseguinte, que a investigação tenha revelado que a hostilidade em relação à policia era um fenómeno comum entre os grupos negros. Estas atitudes são, até certo ponto, o produto da experiência directa; as atitudes dos jovens negros,

em particular, são o resultado do comportamento da policia para com eles. Um estudo publicado em 1983 concluía que <<a falta de confiança na policia por parte dos jovens oriundos das Índias Ocidentais pode ser classificada como desastrosa>> ( Smith e Small, 1983, p.326), e desde então esta situação não parece ter-se modificado substancialmente.

As mulheres negras constituem igualmente um foco de preconceitos e de discriminação. Uma percentagem significativa de mulheres negras são chefes de família e vivem sós, situação que parece expô-las a atitudes de critica por parte de meios de comunicação, bem como da opinião pública branca. Um artigo publicado no London Evening Standard declarava assim: <<Os jovens negros cometem um número desproporcionadamente  alto de crimes violentos em Londres, porque a maioria das mães negras, quando jovens, têm filhos fora do casamento e não contam com o apoio dos países>> (citado em Chiqwada, 1991, p. 138).

Estudos das concepções da politica sobre as mulheres negras mostram que estas são vistas frequentemente como hostis, agressivas e <<difíceis de lidar>>. As mulheres que estão metidas <<em sarilhos>> com a policia enfrentam muitas vezes situações de duplo riscos; arriscam-se a sofrer também o ostracismo da comunidade negra. O <<Plano de Prisão das Mulheres Negras>> foi lançado por associações comunitárias de forma a encorajar os grupos negros a apoiarem mais activamente as reclusas. Investigações indicam que as jovens negras são tão criticas em relação à policia quanto os jovens negros. Assim, uma investigação efectuada entre as mulheres negras concluiu: <<Sem excepção, todas as mulheres negras neste estudo manifestaram profundos sentimentos de hostilidade em relação à policia, a quem acusaram de preconceito racial e de corrupção>> (Player, 1991,p.122).


projecto

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SE

Se podes conservar o teu bom senso e a calma
No mundo a delirar para quem o louco és tu…
Se podes crer em ti com toda a força de alma
Quando ninguém te crê…Se vais faminto e nu,

Trilhando sem revolta um rumo solitário…
Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
Tu podes responder subindo o teu calvário
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão…

Se podes dizer bem de quem te calunia…
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
(Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)…

Se podes esperar sem fatigar a esperança…
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho…
Fazer do pensamento um arco de aliança,
Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho…

Se podes encarar com indiferença igual
O triunfo e a derrota, eternos impostores…
Se podes ver o bem oculto em todo o mal
E resignar sorrindo o amor dos teus amores…

Se podes resistir à raiva e à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste…

Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio a construir de novo…

Se puderes obrigar o coração e os músculos
A renovar um esforço há muito vacilante,
Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
Só exista a vontade a comandar avante…

Se vivendo entre o povo és virtuoso e nobre…
Se vivendo entre os reis, conservas a humildade…
Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti à luz da eternidade…

Se quem conta contigo encontra mais que a conta…
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa em obra de tal monta
Que o minute se espraie em séculos fecundos…

Então, á ser sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!…
Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.

Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem receares jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te, meu filho, então serás um homem!…

(RUDYARD KIPLING


Frenéticas Palavras

Mera a simplicidade com que o azul do céu

Transborda, essa magnitude que se torna,

Quase como as flores que me olham

de longe, naquele único momento.

A estrela solar brilha sobre um céu

Estonteante, a lua adormece na

Plenitude de um espaço aberto,

Numa criação de excêntricas vozes.

Há! Se tudo não fosse senão a passagem,

Se por momentos tudo se desvanecesse,

Na criação da fecunda oração templária,

Essa voz do tempo que espreita sobre a mão.

Delirais da alma que vos atira sobre a utopia,

Essa mágica sensação de romperdes o dia

Numa fusão de sentir o amanhecer, com

A ilusão de mais uma aurora, parecem as

Flores de um jardim coroados de botões a romper.

Essa permissão que da vossa vontade, esculpida

Numa tanta raridade da sucessão dos dias que

Em vós talhais de um sonegado abrir postado.


O Voo

Do poiso…lança-se o voo num bater de

asas pairado na imensidão do espaço

num silêncio absoluto como se estivesse

parado. Sobrevoa numa beleza infinita do

que é grande, encanta a vista dos sonhadores

continuamente agarrados á terra.

a particularidade do deslize sobre o vento

que se aproxima transforma as asas do vento

da força interna do pequeno corpo na subtileza

escarranchada na formosura singela da paisagem

em movimento esbatida no decurso que se

apresenta como rompimento da tristeza

esquecida no fulgor presente do voo.

Rompendo o fugaz vento que se manifesta,

com o corpo em forma de V abre espaços

para que o caminho surja numa

claridade outrora cegada pela imensa

névoa que se apresentara até então…